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Infância embrulhada em bala Juquinha

Ela entrou no vagão e trouxe mais quatro, três precisamente, Stéphany já vinha só. Uma ainda não falava, os do meio estavam aprendendo a ser gente e toda hora ela os corrigia ou reprimia sua vontade pulsante de simples movimento. Andavam pelo vagão ou então ameaçavam sair do trem a cada nova estação. E Stéfany, embora aparentando algo em torno de dez anos, trazia nas costas uma grande mochila carregada de roupas, fraldas, apetrechos e responsabilidades de ser a irmã mais velha e a auxiliar de sua própria mãe. Naquele instante de nossa convivência, a ela era negada a infância em troca do cuidado dos irmãos, algo não muito debatido ou conversado, apenas a natural cadência da realidade e sua mãe não deixava de reconhecer sua infância, apenas precisava confiar a ela a guarda partilhada de seus irmãos, pois sozinha o fardo era enorme, ainda mais sob o temporal que caía lá fora. Eles todos entraram encharcados no vagão. Os pés das crianças enrugados entre as fitas das gastas havaianas.  Di…

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