A coleção de discos

Há pouco mais de um ano, conheci uma mulher bastante interessante no show do Metá Metá. Nesta noite, no meio de algumas conversas, ela contou que colecionava discos e CD's e que aquilo era um dos grandes prazeres dela. Cada disco que ela tinha trazia uma lembrança diferente, fora que a arte presente no suporte físico, tem sido cada vez mais deixada de ser apreciada pela maneira que consumimos música atualmente, praticamente apenas nos meios virtuais. Essa conversa despertou em mim a vontade de ter uma coleção de discos, no caso de CDs, também.
Nunca fui de colecionar nada, não tenho a menor disciplina para propositalmente acumular coisas, sejam materiais ou simbólicas. Isto vai desde a minha dificuldade de organizar o material, livros, textos e cadernos, arranjados durante a universidade, ou então revistas, e até mesmo minha dificuldade de acompanhar novelas (nunca consegui) e séries (algumas eu consigo).
Porém quando ela falou da beleza de sua coleção e das lembranças sempre vivas, fiquei interessada na possibilidade de criar minha própria memória relacionada a música e minha história de vida.
Naquele mesmo dia comprei os três discos até hoje lançados do Metá Metá e outro da Juçara Marçal (Encarnado) e automaticamente criei a regra que sigo estritamente até hoje para a minha coleção: somente adquiro os discos em shows das bandas. Pode ser que nem sempre eu tenha dinheiro, e aí, deixa passar, o show será uma lembrança sem traços materiais, não é problema. A questão que comprar os discos durante o show permite que a memória dele fique presente ali naquelas obrinhas de arte e além disso eu ganho o disco em si que é o resultado de todo um trabalho acumulado por meses para o artista, então tenho a oportunidade de não apenas ouvir tal resultado, mas também ler, ver e participar um pouco disto.
A cada novo disco, uma surpresa sobre a maneira como um grupo ou outro idealiza e formata o trabalho deles; tem disco repleto de histórias, tem outros apenas com letras, tem outros com uma produção fotográfica bem foda e outros com ilustrações dos próprios músicos. São inúmeras possibilidades e trabalhos incríveis.
Ao longo dos meses, me permiti um novo formato de aquisição também: através de crowdfunding. Por questões que dizem sobre as relações econômicas e sociais dos nossos tempos, os artistas estão recorrendo aos financiamentos coletivos para divulgarem seus trabalhos. Já contribui pra alguns e é bem bacana vc poder acompanhar o resultado disto também. Sem delongar muito, essa foi a segunda regra para compor minha coleção.
Hoje arrumando o quarto, fui limpar a prateleira onde eles aos pouquinhos se acumulam, tirei uma foto e pensei em escrever sobre eles. Espero poder um dia escrever a história de como cada um chegou até a mim. Acho bem digno, mas quero detalhes, certamente levarei tempo.

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